Energia solar em Goiânia vale a pena em 2026?
A resposta continua sendo sim, mas a conta mudou: o Fio B entrou, o retorno alongou cerca de um ano e a economia deixou de ser quase integral.
Goiânia 2 de setembro de 2026 6 min de leitura Sunray Energia Solar
Até 2022, responder essa pergunta era fácil demais. Quem instalava energia solar em Goiânia compensava praticamente toda a energia injetada na rede sem pagar nada por isso, a economia beirava os 95% da fatura e o investimento voltava em pouco mais de três anos. Era um cálculo tão favorável que quase dispensava análise.
Esse cenário acabou. A Lei 14.300, sancionada em janeiro de 2022 e em vigor desde janeiro de 2023, criou uma transição que cobra do gerador uma fatia da tarifa de distribuição. A conta continua fechando, e em Goiás fecha melhor do que na maior parte do Brasil, mas ela precisa ser refeita com os números de agora. É o que este texto faz.
O que mudou com a Lei 14.300
A regra antiga permitia que a energia enviada à rede voltasse como crédito integral. A distribuidora emprestava a rede de graça, e quem pagava por essa estrutura eram os consumidores que não tinham geração própria. A Lei 14.300 corrigiu isso cobrando do gerador a chamada TUSD Fio B, que é a parcela da tarifa referente ao uso dos fios de distribuição.
A cobrança não veio de uma vez. Ela sobe em degraus até 2028, e é isso que a tabela abaixo mostra.
| Ano | Fio B cobrado | O que isso significa na prática |
|---|---|---|
| 2023 | 15% | Primeiro ano da transição, efeito quase imperceptível na fatura |
| 2024 | 30% | Começa a aparecer em sistemas que injetam muito na rede |
| 2025 | 45% | Economia mensal já visivelmente menor que a de 2022 |
| 2026 | 60% | Cenário atual, e o que a nossa simulação usa |
| 2027 | 75% | Aumento previsto para o próximo ano |
| 2028 | 90% | Último degrau da transição definido em lei |
Um detalhe que muita gente ignora: o Fio B incide apenas sobre a energia injetada na rede e depois compensada. A energia que você gera e consome no mesmo instante não paga nada. Isso muda o jogo para quem usa energia durante o dia, e é o motivo pelo qual comércio e indústria sofrem menos com a nova regra do que residência.
Quem já tinha o sistema homologado antes de 7 de janeiro de 2023 ficou protegido pela regra antiga até 31 de dezembro de 2045. Se esse é o seu caso, nada do que está descrito aqui se aplica ao seu sistema atual.
Quanto custa energia solar em Goiânia em 2026
O preço de um sistema fotovoltaico não tem relação com o tamanho do imóvel, e sim com o consumo dele. Uma casa de 90 metros quadrados com três aparelhos de ar-condicionado ligados o dia inteiro consome mais que um sobrado de 300 metros quadrados ocupado por duas pessoas.
A referência de mercado é o custo por quilowatt-pico instalado, e ele cai conforme o sistema cresce, porque projeto, deslocamento, mão de obra e estrutura se diluem em mais placas.
| Porte do sistema | Custo por kWp | Perfil típico |
|---|---|---|
| Até 5 kWp | R$ 4.700 a R$ 5.300 | Residência com conta entre R$ 400 e R$ 700 |
| 5 a 10 kWp | R$ 4.100 a R$ 4.600 | Residência grande, escritório, pequeno comércio |
| 10 a 30 kWp | R$ 3.500 a R$ 3.900 | Comércio médio, clínica, restaurante |
| 30 a 75 kWp | R$ 3.000 a R$ 3.400 | Indústria pequena, supermercado, posto |
| Acima de 75 kWp | R$ 2.700 a R$ 3.100 | Usina em solo, indústria, agronegócio |
Vale desconfiar de proposta muito abaixo dessas faixas. O corte quase sempre está no inversor sem representação no Brasil, na estrutura de fixação de qualidade duvidosa ou na ausência do projeto elétrico com ART, que é justamente o documento que garante a homologação e o seguro do imóvel.
Por que Goiás gera mais que a média do país
A irradiação solar média no estado fica em torno de 5,3 horas de sol pleno por dia, medida que os projetistas chamam de HSP. Para comparação, boa parte do Sul do Brasil trabalha com valores entre 4,0 e 4,5. Essa diferença de aproximadamente 20% aparece de duas formas concretas.
- Menos placas para o mesmo consumo. Um sistema que precisaria de doze módulos em Curitiba resolve com dez em Goiânia, e cada módulo a menos é investimento a menos.
- Menos área de telhado ocupada, o que importa muito em sobrado, cobertura pequena ou telhado com muitas águas e sombreamento.
- Geração alta e estável no período seco goiano, que é longo e com poucos dias nublados, compensando os meses de chuva do início do ano.
Em Goiânia, cada quilowatt-pico instalado gera em média algo entre 120 e 135 kWh por mês. Esse é o número que separa uma estimativa honesta de uma promessa de vendedor.
Quanto a conta de luz cai de verdade
A conta não zera, e é importante ser direto sobre isso. Três parcelas sobrevivem à instalação do sistema, por mais bem dimensionado que ele seja.
- Custo de disponibilidade: a taxa mínima que toda unidade conectada paga, equivalente a 30 kWh no padrão monofásico, 50 kWh no bifásico e 100 kWh no trifásico.
- Contribuição de iluminação pública: cobrada pelo município e calculada sobre a faixa de consumo, não sobre o que você compra da distribuidora.
- Fio B: os 60% de 2026 sobre a energia que foi injetada na rede e voltou como crédito.
Somando tudo, uma residência bifásica em Goiânia que hoje paga R$ 800 por mês costuma passar a pagar algo entre R$ 100 e R$ 140. É uma queda da ordem de 83%, não de 95%. A diferença entre esses dois números, ao longo de vinte e cinco anos, é grande demais para ser arredondada numa proposta comercial.
Se você quiser ver esse cálculo aplicado ao seu caso antes de falar com alguém, o simulador de economia com energia solar faz a conta no navegador, já com o Fio B do ano corrente descontado.
Em quanto tempo o investimento volta
Com as tarifas praticadas pela Equatorial Goiás e o Fio B de 2026, o retorno de um sistema residencial bem dimensionado costuma acontecer entre três e cinco anos. Antes da lei, o mesmo sistema voltava cerca de um ano mais cedo.
Preferimos apresentar isso como faixa, e não como número cravado. O retorno depende do padrão de ligacao, do horário em que a energia é consumida, da orientação do telhado e do preço fechado na proposta. Quem publica retorno de 3,7 anos para qualquer imóvel está exibindo uma precisão que os dados não sustentam.
Dois fatores empurram esse prazo para baixo:
- Consumo diurno alto. Quem usa a energia no momento em que ela é gerada não injeta na rede e não paga Fio B sobre aquela parcela.
- Reajuste tarifário. Cada aumento anual da distribuidora encurta o payback, porque a energia que você deixou de comprar passou a valer mais.
E dois empurram para cima: sombreamento não resolvido no projeto e sujeira acumulada nos módulos. O segundo é barato de corrigir e responde por perdas de 5% a 15% da geração em regiões de poeira, o que em Goiás não é detalhe.
O que muda conforme o tipo de imóvel
O dimensionamento correto depende de quando a energia é consumida, e não só de quanto. Cada perfil tem uma conta própria, e por isso tratamos cada um em um texto separado:
- energia solar para residências em Goiânia, onde o consumo se concentra à noite;
- energia solar no comércio da capital, o perfil que mais se beneficia da regra atual;
- energia solar em indústrias e galpões goianos, em que entra também a discussão de demanda contratada;
- energia solar no meio rural de Goiás, com consumo sazonal e linhas de crédito próprias.
Como saber se vale a pena no seu caso
A análise séria começa nas suas últimas doze faturas, e não numa visita ao telhado. Elas mostram o consumo médio, a variação ao longo do ano, o padrão de ligação e a modalidade tarifária. Sem esses dados, qualquer proposta é chute vestido de planilha.
A partir daí o projeto define potência, quantidade de módulos, área ocupada, geração mês a mês e o retorno já com o Fio B descontado. Se quiser começar por aí, é só solicitar um orçamento de energia solar com as faturas em mãos.
Se depois de tudo isso você quiser sair da teoria, é disso que a Sunray vive: energia solar em Goiânia com projeto e homologação, do estudo das faturas até o medidor bidirecional instalado pela distribuidora.
Perguntas frequentes
Compensa, e Goiás continua entre os estados onde a conta fecha mais rápido, por causa da irradiação alta. O que mudou foi a velocidade: a economia mensal caiu de algo próximo de 95% da fatura para uma faixa de 80% a 85%, e o retorno do investimento passou a ficar na faixa de três a cinco anos, conforme o perfil.
Quem consome energia durante o dia sente menos a mudança, porque o Fio B só incide sobre a energia injetada na rede e depois compensada.
Em 2026 o custo fica entre R$ 2.700 e R$ 5.300 por quilowatt-pico instalado, sendo o valor mais alto o de sistemas residenciais pequenos e o mais baixo o de usinas grandes, que diluem projeto e mão de obra em mais placas. Uma residência com conta de R$ 600 mensais costuma precisar de 4 a 5 kWp.
Não. Continuam na fatura o custo de disponibilidade, que é de 30 kWh no padrão monofásico, 50 kWh no bifásico e 100 kWh no trifásico, a contribuição de iluminação pública do município e a parcela do Fio B. Uma conta de R$ 800 normalmente cai para a faixa de R$ 100 a R$ 140.
Depende do consumo. Com módulos de 590 Wp e a irradiação média goiana, cada placa gera cerca de 70 a 78 kWh por mês. Uma casa que consome 550 kWh mensais precisa de aproximadamente oito módulos, ocupando cerca de 22 metros quadrados de telhado.
Sim, e o processo se chama solicitação de acesso. Ele exige projeto elétrico assinado por engenheiro, ART registrada no CREA e aprovação da Equatorial Goiás antes da ligação. Depois da instalação há vistoria e troca do medidor por um bidirecional. Sistema ligado sem esse trâmite é irregular e pode gerar corte e multa.